Jacques Augusztovsky

O Jacques era um dos poucos professores da Escola de Belas Artes que eu tinha um carinho maior e quem eu via ali, ao lado da Suzana e do Rui, entre os que tinham mais conteúdo e amavam o design tanto quanto lecionar.

Posso dizer que tudo o que eu sei de foto hoje devo as aulas dele (com a ajuda do Marquinhos do laboratório também) pois além de me mostrar que eu era capaz, forneceu preciosas referências e curiosidades que me guiaram muitos anos depois de eu ter saído da Universidade.

Antes de ser aluno dele, só o conhecia das fofocas de corredor que diziam que era impossível passar na disciplina de Foto II com ele, e de fugir dele correndo do laboratório de foto pois no horário dele ninguém podia entrar na sala, e expulsava os invasores aos gritos e com a presença intimidadora de um sujeito careca bem alto, fortão e cara de motoqueiro.

Nas aulas adquiri um tremendo respeito por ele realmente ensinar (ao contrário de um certo professor de foto pedante, cheio de títulos, conhecimentos duvidosos e sem consideração pelos alunos) a alunos de diferentes níveis e sem vivência, em poucas horas por semana, um método que garantia uma qualidade técnica muito boa (o sistema de zonas do Ansel Adams), tornando tudo muito simples e abrindo as portas da fotografia de alto nível para muitas turmas que passaram por ali.

Suas aulas foram um dos poucos exemplos onde o rigor (ele era bastante exigente mesmo) aplicado era visível na qualidade do resultado e não um mero capricho. As aulas de foto 3 também eram muito boas e exploratórias, verdadeiras aulas de arte (sem esta pretensão), possibilidades e técnica, impressão em diferentes materiais como pedra, tecido, papel impregnado de resina etc. vão deixar saudades.

Encontrei com ele algumas vezes na rua, quase sempre na feirinha de antiguidades da Pça XV e sempre foi muito simpático comigo perguntando sobre minhas fotos que ele dizia gostar, o que era um grande elogio vindo de um mestre como ele.

Descanse em paz, professor.

Abaixo transcrevo a nota do Rui de Oliveira.

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É com grande tristeza que comunico aos alunos e ex-alunos da Escola de Belas Artes da UFRJ o falecimento de nosso insigne e querido professor Jacques Augusztovsky, ocorrido neste sábado. O sepultamento foi hoje, domingo (08/07/2012), no cemitério do Caju.

A Escola perde um mestre na arte, e no ensino da fotografia. O fato de ter sido um estudioso e pesquisador das modernas possibilidades da foto digital não o impediu de resgatar as técnicas e linguagens da fotografia analógica e tradicional. Nesta área, desenvolveu, ao longo dos anos, um intenso trabalho de pesquisa com seus alunos, como, por exemplo, na arte do fotograma, da impressão artística da imagem fotográfica em superfícies diversas.

Seus alunos, antigos e atuais, vão se lembrar e se ressentir muito de sua maneira original, e absolutamente informal de ministrar aulas. Desta forma, ele consolidou, dentro do Curso de Comunicação Visual Design, um dos seus mais exitosos segmentos, que é o laboratório de fotografia, e, consequentemente, ensinar e despertar nos alunos o tão necessário olhar fotográfico, que ele dominava de forma inigualável. Esta foi a sua paixão e o seu grande desafio acadêmico.

Em suma, a Escola de Belas Artes perde um mestre da fotografia, e, todos nós, do corpo docente, perdemos um homem profundamente cordial, sincero e fraterno.

Rui de Oliveira

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